Quero falar, mas o ar falta. O fôlego vai pro espaço. A coragem tão ensaiada se esvai, e me calo. Calamo-nos diante de tantas coisas e erramos. Erramos tanto em nos esconder atrás de máscaras aceitas, erramos mais ainda em aceitar isto.
Que um dia a exposição acontece, é sabido. Não há disfarce tão eficaz que o transforme em outra pessoa. A pessoa que você esconde e tenta ignorar nunca irá a lugar nenhum. Ela é o mais puro você, o mais puro eu. É meu eu que não se explica, mas se entende. É meu eu que nem compreendo, mas obedeço – ainda que lute para não, ainda que finja que não.
Tão amarga é a repressão de si, quando se dá conta. Tantas são as desculpas, os farrapos: “As máscaras protegem, camuflam, me fazem ser parte desse todo no qual não me encaixo”. Tão graciosa é a liberdade, quando se olha daqui. Acho que, se pudesse escolher ser alguém, escolheria ser eu mesma.
Mas, ah… o poder! Ferramenta estranhamente limitada. Consegue tanto e proíbe tão mais! Inibe tão mais! É uma das três irmandades que raramente entram em consenso: poder, querer e dever. São três mosqueteiros aos avessos guerreando incessantemente em mim.
Não há paz aqui e também não há sossego. Há cegueira, confusão e perturbação. Porém aquela máscara, minuciosamente escolhida e vestida, começa a se desintegrar. E talvez seja melhor assim.
Ontem não fiz nada e nada novamente farei hoje novamente afinal acabei de acordar, sei que tem feira, talvez compre pastel, talvez pare de escrever textos grandes assim porque afinal ninguém lê mesmo.
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